The gentleman giving the power presentation felt the bayonet scar on his shoulder reopen a warm trickle of blood through his fresh-pressed shirt.

Dois meses antes.

 

- Alô.

- Caio?

- Não.

- Filho! É mamãe, tudo bem?

- Tia Valéria?

- É mamãe!

- Alô?

- Danie... Pedro!?

- Sim!

- Desculpe, eu liguei errado, hehe; tudo bem aí?

- Tudo. *se sente um mentiroso compulsivo*

- Hehehe.

- Hahaha.

- Tchau.

- Tchau.

 

Um mês antes.

 

- Queto!? O que tem de errado em queto!?

- Falta o i.

- Quito!?!?

- Quieto.

 

Quatro dias antes, no elevador.

 

- O calor já tá chegando! Que bom, né?

- Eu n..

- Nossa, eu não agüentava mais aquele frio. Mas para vocês que são jovens deve ser ainda pior o frio, não é?

- Eu at..

- Tchau, hein!



Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



Well, there is always so much more to tell, so much happens. But I can't tell you everything, not when I'm so secretive.

Eu vi Mentex para vender em uma padaria e em um cinema depois de anos sem comer ou ver Mentex para vender. Eu não comprei porque eu não tinha dinheiro. Eu não sei se vou comprar quando tiver, vai que o gosto não é mais o que eu sentia quando comia na casa da minha avó balançando na rede ou jogando Sonic, e aí como que eu fico? Prefiro me ater à minha boa companheira Skittles e às eventuais balas em formato de ursinho – daquelas gelatinosas –, que é mais seguro assim. E a minha vontade incontrolável de sentir o outrora inigualável sabor de Mentex; e de sentir meus dentes agarrando na bala e ficando cheios de pedaço nos enormes espaços entre eles; e de sentir a leve refrescância de tomar água bem gelada depois de engolir uma caixinha inteira na varandinha da escada com a luz apagada? Bom, é só vontade. E, como toda vontade, pode ser banida. E então eu bani a vontade. Prefiro coisas salgadas. Prefiro coisas salgadas. Pão com manteiga e queijo derretido. Novos sabores de miojo (apimentados). Coxinha. Pastel de queijo.



Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



(I'd like to kill you but I'd never kill you)

Sabe qual o problema de ter um blog em grupo? Não poder deletar quando tiver um surto existencialista repentino sem bom motivo. E isso meio que mantém uma partezinha do passado intacta, assim como antigos comentários seus em fotologs alheios e antigos posts no orkut em profiles que você já suicidou. É como se houvesse essa força superior que te impede de apagar tudo o que deve ser esquecido para sempre – inclusive a memória do próximo. Porque tem aquele dia lá que foi feio e tem aquilo que você fazia quando era criança que todo mundo sabe ou corre o risco de saber. É muito complicado. Não para peixes dourados, é claro. Eu gostaria de ser um, aí penso em um aquário e acho que eu morreria de tédio, aí penso no rio ou mar ou wherever – onde peixes dourados vivem quando não vivem em aquários? –, se é que existem peixes dourados que não vivem em aquários. Anyhow tenho pena de todos os peixinhos out there que serão comidos por carpas ou tubarões ou whatever – eu não sei o que come peixes dourados. Eu, na verdade, não sei bulhufas *pausa para contemplação do amontoado de letras que acaba de ser escrito* sobre peixes dourados, por mais que possua um vasto conhecimento de biologia. Eu sei o que são estômatos, por exemplo. Bom, pelo menos eu sei reconhecer a descrição de estômatos quando leio em questões de múltipla escolha – e é isso o que importa, quando não se é um peixe dourado (sorte a nossa que a opção ‘solteiro’ fica logo ao lado da opção ‘casado’).



Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



Sentia-se como o errante vento, passeando por entre árvores tortas e tocando delicadamente rostos suaves de pequenas princesas; naqueles eternos segundos de primavera, reconheceu o mundo e todas as suas cores – e também os sons; banhou-se no azulado mar – que, reparando bem, também era lilás, e amarelo – e mergulhou, profundo, até tocar com os pés na parte mais funda e escura, substituindo a visão pelos outros sentidos que agora se aguçavam. Permaneceu ali por sabe-se lá quanto tempo; nesses ambientes, nesses momentos, não há relógio que sobreviva à explosão da vida.

Mais uma piscadela de olhos e estava no céu, entre as nuvens brancas feito neve; aliás, o que é a neve senão nuvens que se entristeceram e tiveram seus corações congelados? E assim caem, meigas, serenas, chorando a si mesmas, despencando do infinito com suas mensagens intrincadas em todos nós. Não adianta fingir que não entendemos.

No entanto, as nuvens que flutuavam pelo céu do seu momento primaveril, eram alegres e vivas; adquiriam formatos dos mais variados; num momento eram pequenos coelhos, noutros, se olhasse com atenção, poderia com clareza enxergar imensos e vários dragões em batalhas ferozes e intermitentes. E o azul! Já é um pecado limitar aquela cor com um nome qualquer, uma palavra; vocabulário nenhum seria capaz de explicar que tonalidade estranha e inquietante possuía aquele firmamento. Calo-me – e exijo silêncio.

Um, dois, três. Agora um calor dilacerante espalha-se e invade cada fresta do seu corpo; ao tocar o Sol ardente, a sensação de energia percorre-o por completo, até finalmente culminar no ápice de um grito rouco e desesperador. As luzes o atravessam e ferem-no deixando-o em carne viva. A sua dor se confunde com tantas outras, numa dança louca e frenética de luz. Olhos abertos e atentos, enquanto perscrutava os segredos ocultos e protegidos por uma força impenetrável.

Assustado, olhando para si em busca de feridas, estava no meio de uma densa floresta úmida, e não havia marcas no seu corpo. Lá no alto, acima das árvores fechadas - que pareciam se abraçar num amor maternal e cuidadoso - pássaros cantavam melodias das mais encantadoras; não pôde deixar de sorrir. Caminhou tocando nos grossos troncos e observando tudo ao seu redor; nada escapava à sua atenção; ruídos, imagens, sensações, tudo era captado com muito zelo e guardado cuidadosamente nalguma parte do cérebro responsável por lembranças indeléveis.

 

Primavera, 1917.

Jack . [ ] [ envie esta mensagem ]



Isn't that the point? That is why I want a coin-operated boy.

Querido diário,

sou eu, Doug. Hoje eu matei a Patty Maionese. E, diário, quer mesmo saber? Eu gostei... Gostei sim, diário. E agora estou pensando em matar papai, mamãe, Costelinha, Skeeter, Judy, todos eles. E aí serei só eu; o Homem Codorna. Porque o nome do desenho é Doug, caramba, e não Doug e seus amigos, família, cachorro e a menina de que gosta. E é por isso que eles devem morrer, diário. Eles não são eu. Não são perfeitos. Com todas essas diferenças nojentas e assustadoras. Só sobrarei eu. E você. Não precisa ter medo, diário, eu não te usarei para alimentar a lareira, porque você é apenas papel, quem te fez fui eu. E vou continuar fazendo, do meu jeito, exatamente como eu quero que você seja. Você é o único que está sempre certo. Só me desapontará quando eu me desapontar. E isso nunca vai acontecer. Porque eu nunca vou reler nada que escrevi antigamente e ver que mudei. Serei sempre o mesmo, todo protagonista e sem esses humanos estúpidos. Que não entendem nada.



Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]





Pasmem:

Os dubladores de Charlie Brown, Schroder e a minha... quer dizer, da Peppermint Patty no desenho do Snoopy, são, respectivamente, os mesmos que dublaram o Chaves, o Seu Madruga e a Chiquinha.



Pasmem (2):

Esse site aqui fez um top 100 dos cãezinhos mais legais do mundo pop...
o Snoopy foi o grande campeão...
o Muttley em 17º foi uma injustiça...
e o casalsinho de A Dama e o Vagabundo em 73º e o Ajudanti di Papainoel em 75º também...ainda mais por terem ficado atrás daquele cão idiota....daquele filme igualmente idiota.

Peppermint Patty . [ ] [ envie esta mensagem ]



Alice no País dos Monstros

Qual era o motivo de tanta agitação, não sabia. Com pequenos olhinhos brilhantes, atentos, observava tudo; o vai e vem de pessoas com vozes rudes e rostos deformados, gritando verdades quebradas, com suas inquietas mãos de plástico. Essa parte era engraçada, o modo como gesticulavam, certos, coerentes, e podia jurar que ainda veria as mãos soltarem-se dos corpos daqueles bonecos-humanos, tão crentes de sua divindade. Apontavam-se entre si e cuspiam uns nos outros, sujos, mas suas verdades precisavam ser ouvidas. Então toda aquela desordem teria valido a pena – calma!, bastava fazer os outros compreenderem e voltariam a sorrir amigavelmente. Sentia que precisava levantar a mão e dizer-lhes que não.

Só que era tão pequena perto daqueles seres grotescos, que talvez fosse por isso que não a enxergassem; apesar de pular com suas delicadas perninhas o máximo que podia – e seria capaz de jurar que alcançava grandes alturas – e esbravejar sílabas agudas, enquanto movimentava seus braços em busca de atenção. Alguns pareciam fixar seus esbugalhados olhos nela por um tempo, mas logo faziam um gesto brusco e seguiam seus caminhos. Alguns outros – esses ainda guardavam um certo brilho, misturado às cores lívidas – ainda movimentavam um pouco a boca ao enxergar a dança dos seus cabelos cacheados, mas as palavras pareciam morrer logo após deixar as bocas tortas, e nenhum som era ouvido.

Começou a irritar-se, com aqueles sons, aquelas horrendas imagens que passavam pelos seus olhos tirando-lhes algo de precioso. Gritou o máximo que pôde, com força – com uma força que nem sabia possuir. Tremia e sentia algo mudar dentro dela, crescendo e tomando proporções incontroláveis; já não era mais dona de si mesma. Então chocou-se ao olhar para o seu braço; o que antes era pele macia e branca, agora transformara-se em algo rugoso e duro, cheio de traços imprecisos e deformes. Sua voz também já não era a mesma, mal podia compreender-se naqueles acordes dissonantes. O desespero começou a tomar-lhe conta e agitava-se cada vez mais; tentava correr, mas batia-se naqueles animais grossos, e olha!, agora já possuíam a mesma forma... Então uma lágrima brotou nos seus olhos.

Depois de descer suavemente, massageando suas faces, acomodou-se tranqüila no canto da sua boca, e ela pôde então sentir seu gosto salgado. Sua respiração tranqüilizou. Seu peito continuava agitado, batidas apressadas sucediam umas as outras, numa corrida descontrolada e perigosa. Mas seus sentidos, já recuperados, pareciam perceber algo; além. Um lago. Águas límpidas e transparentes, onde peixes, de várias cores e formatos, corriam de um lado para o outro. Havia seixos, flores, um pequeno inseto de nome estranho, e de uma família mais estranha ainda, tudo em perfeita harmonia. Ela podia sentir. Ela fazia parte.

Como fez para livrar-se daquele tumulto e alcançar a estradinha de terra que a encaminhou até o local descrito, isso eu não saberei informar; acho também que nem ela o sabe. Talvez Eles não fossem tão maus assim, ou talvez tivessem um ponto fraco – dizem que todos têm – que a garotinha descobriu e aproveitou em seu favor. Eu, sinceramente, acho que não importa. Como não importa que fim tiveram os nossos monstros, em suas lutas incessantes pela. Bom, não importa também pelo que lutavam, ou o que queriam provar. Para mim, basta acreditar que estavam errados, todos, sem exceção.

 

 

E os peixes agora agitam-se ao vê-la entrar confiante na água.



Jack . [ ] [ envie esta mensagem ]



Gregory and the hawk.

Hoje foi um dia ruim porque eu descobri que o que provavelmente foi minha primeira comunidade-de-orkut foi transformada em algo totalmente diferente da proposta original. A comunidade que homenageava o melhor website de todos os tempos agora está infestada de vermes que escrevem feio. É a prova máxima de que o Pitangas estava certo. Turma da Mônica com comentários depressivos embaixo, feitos por uma fã do Cebolinha. O Cebolinha é phoda. O Cebolinha tem dedos nos pés e usa tênis, mas ele seria phoda mesmo se não tivesse dedos nos pés e usasse tênis. Está frio, eu estou tomando sorvete de chocolate e bebendo Coca-Cola. Nunca estive tão vulnerável em toda a minha vida. Então agora eu vou postar um negócio que achei bonito. E tenho certeza que você e o Cebolinha também vão achar isso.

When I landed
I didn't see
the statue of the liberty,
like so many immigrants before me.

In the airplane, I didn't sleep;
I stayed up watching 'Who Framed Roger Rabbit' -
in english,
I loved it, but didn't understand it.



Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



Frozen noses, frozen toes and the frozen city starts to glow.

Dirigir com o tempo vai parando de parecer impossível. Chega uma hora em que sair e parar começam a parecer atividades cotidianas; você demora, mas aprende a não soltar tudo e pular para fora do carro com as mãos na cabeça em sobressalto porque seu pai gritou PARE! no seu ouvido; você quase não esquece mais de dar a seta - ainda que se sinta idiota dando seta em um lugar vazio de carros para verem sua seta - e quase não morre mais; começa a conseguir escutar o que ele fala e prestar atenção na rua, ao invés de se virar para falar algo e receber um grito de olhe para a frente, porra, em retorno. Mas o local em que você pára para ele te contar a história da época em que tinha disritmia cerebral é bonito e você pensa em como uma garrafa de vodka e uma ou duas - no máximo três, para não estragar (e esperamos que esse número permaneça) - pessoas seriam o ideal, ao invés de um quarenta-e-oitão que faz música parecer um assunto chato. Bom, o local tem duas árvores bonitas, o canal que divide Vitória e Vila Velha em frente, com a escola de marinheiros do outro lado e morro do convento e a terceira ponte à... à... esquerda? Esquerda. E tem uma coisa estranha de azulejinhos coloridos para ser sentada. O céu é amarelo da metade para baixo e azul escuro da metade para cima (você vai voltar lá e tirar foto), são seis horas da tarde e parece inverno de verdade, finalmente. Você está vulnerável. Tão vulnerável que começou a pegar a coletânea da Regina, que só possui músicas que você já possui, na esperança de alguma versão diferente. E se não houver nenhuma, não tem problema, pelo menos a ordem é diferente da ordem dos álbuns que você já baixou e a capa e o nome são tão lindos - Mary Ann Meets The Gravedigger And Other Short Stories By Regina Spektor. E a ordem é importante, apesar da marca da guitarra e da quantidade de álbuns por ano não serem nem um pouco - desculpe, papai, se você estiver lendo isso, mas é verdade e eu não estarei mais morando com você em breve.

Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



Mastigava a comida sem interesse, como se o ato fizesse parte de sua vida profissional - obrigatório. Talvez pela textura pouco atrativa ou pelo cheiro que parecia se esconder atrás dos armários e gavetas da cozinha; o fato é que, naquele momento, segunda-feira, meio-dia e quarenta e dois – sol brilhando forte, cruel -, Arnaldo comia porque não tinha escolha.

Aos poucos sentia o alimento se dissolvendo e num movimento quase mecânico, engolia. Pouco a pouco ia esvaziando o seu prato, assim como acontecia com a sua vida; não havia pressa, pensava, enquanto olhava para a carne seca, dura e morta que o ajudava a matar o tempo. Brincou com os talheres como uma criança que enxerga em cada forma, em cada cor, um objeto diferente, pronto para ser descoberto e aproveitado; olhou para a cozinha, simples, porém dele – o que era realmente seu nesse mundo? Certamente não a cozinha. Certamente não aquele prato rachado e velho. As marcas do seu corpo, talvez; as formas das suas mãos, do seu queixo em formato pouco tradicional; seu olhar triste e zombador, que parecia olhar para o mundo e rir dele, enquanto chora por suas próprias dores. Sabia que tinha um filho; um garoto que deveria ter uns doze ou treze anos, ou mais... definitivamente, mais. Nascido de erros, sem propósito, sem nome ou sorriso, o menino ainda assim deve ter visto o mundo como toda criança: belo, livre, novo. Foi feliz por um tempo, pensava, e isso também o alegrava. Melhor se tivesse morrido logo, se não tivesse sido invadido por esse sentimento que não nos perdoa, que caça um a um, impregnando-nos com a realidade. Tanta burrice... não conseguia entender. A realidade.

O menino já não era mais seu, aliás, nunca fora. Mas, afinal, pra que esse desejo todo de possuir algo?, alguém? Sacudiu a cabeça como se procurasse expulsar do cérebro idéias, tirar de dentro algo que era, basicamente, ele. Não agüentava ser ele mesmo o tempo todo, pensou. De uma hora para outra se enxergou tão ridículo! Patético, mais um animalzinho perdido numa selva com a estranha mania de pensar – de sentir. E recordar...

 

Levou o último pedaço de carne à boca e suspirou.

Jack . [ ] [ envie esta mensagem ]



We are ugly but we have the music.

Só queria consertar um erro em um post anterior meu. Nele, ao citar as pessoas que já disseram tudo, eu esqueci de citar o Elliott Smith (a little less than a human being, a little less than a happy high, a little less than a suicide) e a Amanda Palmer (laughing like mad as you strangle the captain). Citados. Erro corrigido. Doug com a consciência limpa. Hora de dormir. Com sono. Amanhã acordar cedo para tentar aprender mais um pouco de baixo e almoçar na casa da vovó. Por enquanto, parece suficiente.

Doug . [ ] [ envie esta mensagem ]



Sempre um post e dois comentários...
variando entre Jack, Peppermint Patty e Doug...
isso daqui já foi mais movimentado...

Peppermint Patty . [ ] [ envie esta mensagem ]



Olhar vago, perdido!

De que forma estranha me grita

Diz-me coisas maravilhosas

Aponta-me o fundo do mar.

 

E quando piscas!...

Enxergo por instante a tua escuridão

Cheia de arrepios...

 

Quero perder-me

De olhos fechados e pele atenta

Gritar calado o excesso

 

E voltar, sempre

Ao mesmo poço escuro

À mesma sombra desconhecida...



Jack . [ ] [ envie esta mensagem ]



E foda-se se plutão é ou não um planeta, senhores cientistas.... :)

Peppermint Patty . [ ] [ envie esta mensagem ]



Passado o primeiro momento de total pânico e descontrole, ela acalmou-se, respirou fundo e ouviu o seu coração recuperar o ritmo normal das batidas. A noite estava calma e o vento sibilava nos seus ouvidos canções perdidas no tempo; sentiu um arrepio, como um ser vivo que crescia nas suas entranhas e, espalhando-se, procurava a liberdade. Podia sentir o barulho do tempo passando – num tom pesado, mórbido, quase fatal. O ar que entrava pelas suas narinas era gelado; como uma droga paralizava o seu pensamento e a entorpecia, a acalmava; assim, parada ao léu, com seu rosto pálido, enfrentava a desconhecida madrugada. Um morcego passou, rapidamente, roçando-lhe os cabelos morenos; não sentiu medo. Com suavidade, seus dentes escaparam-lhe da boca, num movimento de indescritível beleza. Como podia ser tão simples?

Jack . [ ] [ envie esta mensagem ]




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